Histórias não contadas



Aeroportos são todos iguais, certo? Na maioria das vezes, sim, existem dezenas de portas automáticas, vaivém de carrinhos cheios de malas, filas enormes para fazer o check-in, ótimas livrarias, lanchonetes com café da manhã a preço de almoço, estrangeiros, casas de câmbio, e, é claro, as lojinhas de souvenirs. É quase um shopping center. Mas tem um pequeno detalhe que os torna diferentes, as histórias.

Aeroportos respiram histórias, talvez seja isso o que mais me encanta nesse lugar, imaginar quantos sentimentos podem estar escondidas em cada pessoa que passa por lá.

Seja um empresário apressado, bem vestido e com sua barba estilo lenhador a caminho de uma importante reunião de negócios que pode mudar a sua vida, mas ao mesmo tempo preocupado em deixar a esposa grávida sozinha casa e aflito com a possibilidade de perder o nascimento do seu primeiro filho.

E aquela moça ali adiante, que leva uma enorme mochila nas costas, um livro debaixo do braço e traz consigo um olhar sonhador. Será que ela vai ao encontro do seu amado que mora em outra cidade? Será que está indo visitar seus familiares que não vê há tempos? Ou será que ela está a caminho de um mochilão pela América do Sul em busca de autoconhecimento?

Na sala de embarque, um casal carioca espera impacientemente com seus filhos a hora de seguir viagem para aquele famoso parque aquático em Fortaleza, o voo deles atrasou. Enquanto isso, um grupo de idosos conversa animadamente sobre a exposição de orquídeas de que irão participar em Gramado.

Por isso que aeroportos são lugares mágicos, é o ponto de partida de inúmeros sonhos, é a hora de reencontrar aquele abraço que você tanto espera, é a rotina para aqueles que sempre viajam, é onde tudo pode acontecer. É um lugar repleto de histórias anônimas, sobre pessoas comuns que não estão escritas em lugar nenhum.

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